Parasita. Para quem não me conhece, eu sou um parasita. Melhor, para quem me conhece e eu estimo demais, eu sou um parasita.
Na primavera passada, nem como a formiguinha trabalhando duro para ajudar seus semelhantes à juntar comida para o inverno e nem como a cigarra vagabundeando e cantorolando estava eu. Passava os dias a lamentar, encobrindo o sol com complicações inúteis e sem sentido, buscando motivos negativos que pudessem me trazer a atenção que me faltava. No fundo no fundo, só queria ser feliz.
E para minha infelicidade, essa busca por atenção, me trouxe mais lamentação. E cada dia ia cavando um buraco ainda maior para me enterrar e ir sumindo da vida daqueles que comigo passaram a se preocupar.
Após dias e dias de choramingos e frustrações, criou-se um pesadelo vivo, que não sentia o amor dos outros, só sentia-se sozinho a amar, pelos cantos passou a chorar e aos prantos queria a vida deixar. Para todos era apenas uma criança mimada que tinha seus muitos caprichos...
O calor aumentava, as lágrimas dos olhos já não mais derramava, mas no coração ainda atenção implorava...
Parasitava sugando todo amor de quem encontrasse, todo calor e amor do mundo não lhe eram suficientes. E consumia tudo quanto podia. Inclusive desperdiçava todo amor que já recebia. Buscava sempre novos amores, novos olhares, e toda a atenção que pudesse obter. Queria aproveitar do melhor de tudo que pudesse encontrar. E no canto ia deixando aqueles que por hora lhe ofereceram atenção, carinho e dedicação.
E como toda enfermidade todo organismo busca combater e vai criando imunidade. E o parasita já não pode lhe fazer mal. Chega a hora então do hospedero vilar o vilão. Do parasita abre a mão e começa em sua vida tomar uma ação. Parasita que precisa de carinho passa então outro hospedero buscar. Mas sabe que se nessa vida continuar sua vida nunca vai mudar. E sempre haverá essa necessidade de um novo hospedeiro encontrar. Dificultando então, sua capacidade de entregar seu coração, que de tantos hospedeiros sãos, acaba sempre espedaçado, entregando seus pedaços para cada um que por sua vida passe.
Falta então encontrar a solução para curar os males do seu coração. E de amor saciar tudo aquilo que alimentou com a solidão. Sabe que no fundo tudo pode transformar, e de parasita, largarto e borboleta também quer se transformar.
Pois apesar de parasita, tem bondade no coração. Deseja ter perdão por não ter sabido como no coração do hospedero se hospedar. Aprendeu nesse pouco tempo de vida como de cada coração cuidar e sabe que precisa de seu amor dividir para que possa fazer alguém feliz. Afinal, nunca desejou fazer o mal.
E como todo conto de fadas, fica sempre a esperança de ter aquele final feliz.