Minha vida nos acordes e nas teclas do piano.
12 anos, meus primeiros passos como tecladista e pianista, minha primeira apresentação em público. Lembro como se fosse hoje. Toquei duas músicas para milhares de pessoas em um barzinho de Sto André. As luzes do ambiente me cegavam, mal conseguia enxergar as notas das partituras... A emoção de estar a frente em um evento era muitíssimo gratificante. Todas as noites de ensaios. Todas os sonhos que eu tinha. Todas as vontades que hoje já estão distantes. Depois de um curso técnico minha vida mudou de ritmo e passou a ter somente dois tempos....duas batidas... e durações mais longas e de prazos definidos.
Vida de musiquista era um sonho que era vivido a cada dia nos ensaios, a cada tocar de dedos naquelas teclas do teclado, a cada acorde aprendido, a cada arranjo ensaiado. Eu invetava, eu criava, eu colova nas notas tudo que eu sentia. O público vibrava.... Os aplausos eram verdadeiros... Minha vida era uma mistura de sonho e realidade. Minha vida era a ilusão de conquistar o mundo, de levar a música pelo mundo. Gostar de todos os ritmos, saber se expressar, dar vida a cada toque.
Presença inusitada em dias de poucas palavras. Calada, concentrada, ouvia o som que meus dedos produziam....Harmonia. Melodia. Ritmo. Sim, a música vivia em mim. Que acontecerá com tudo aquilo que eu era? Todos diziam muito bem. Os elogios. As crenças. Meu ego exacerbado. Eu tive grandes oportunidades. Rodeios. Festas. Bares. Sonhos. Esses são meus grandes momentos, minhas boas recordações. Notas que formavam a melodia, sonhos que se construiam numa ou noutra canção.
Toco, mas pouco, continuo a tocar. Minha vida será a mesma quando eu puder novamente te encontrar.
Pessoa apaixonada que sonhava com um mundo melhor. Menina que sonhava o mundo inteiro conquistar. Hoje posso te encontrar nas poucas lembranças que eu tenho. Esperança que tinha hoje já não tenho mais. Realidade dura e crua substitui os desejos dessa criança e seus sonhos fez mudar. Continua naquele mundo acreditar, mas seus horizontes são diferentes.
Dó menor...1..2..3..4 vai...
Pratos da batera, cordas da guitarra, teclas do teclado, caixas de som no máximo. Músicas com letras rimadas, sonhos escondidos no rock de suas músicas mal cantadas...Eramos nós, minha banda, meus amigos, nossos sonhos, nossas músicas, nossas letras e nosso rock!
"Me alistei no exército, lutei várias guerras...Voltei com uma bala dourada... Só que ela estava na mão e não no coração"
Refrão de umas das músicas que eu mais curtia. Composição do meu primeiro namorado, meu melhor amigo daquela época, meu companheiro de escola, meu amigo de rua, meu parceiro, meu confidente. Tinhamos repertório, compusemos várias músicas juntos, tocavamos, cantavamos, dançavamos, damos tantas e tantas risadas, amava sua companhia. Nosso namoro escondido, nossas conversas secretas, nosso batismo na natureza, nossa vida a dois. Existia sim um mundo só nosso. E eu tenho saudade de tudo isso....
Termino aqui, sono já veio. E amanha começo de mais uma longa e agitada semana.
Perdoem-me por meus textos saudosos e com pouco conteúdo. Mas é no passado que me encontro, meu verdadeiro EU. Lendo meu diário de infância (acreditem, eu guardei isso!), vejo que eu tinha muito mais inspiração pra escrever e compor músicas do que hoje. Triste, mas preciso me re-encontrar pra poder escrever coisas legais de novo, poder voltar a vida com sentimentos e coisas boas.
Chega por hoje né?
Fui me... até a próxima!